segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Opinião do torcedor: Infância, saudades, Campininha das Flores e meu Atlético.

Infância: Saudades, Campininha das Flores e meu Atlético.
Pela volta da nossa casa: Estádio Antônio Accioly.

Saudosismo tem por definição recordar coisas boas do passado. Este sentimento tem sido constante em meu coração nos últimos dias, especialmente porque no último dia oito de junho, nasceu minha princesa Valentina, e espero ansiosamente pelo momento de irmos ao estádio juntos.

Essa espera tem me trazido muitas lembranças do meu tempo de criança, onde na maioria das vezes meu pai me acordava no domingo de manhã para podermos tomar o nosso café e caminharmos até onde considerávamos a nossa segunda casa, o estádio Antônio Accioly, na famosa avenida 24 de Outubro, no bairro mais antigo de Goiânia, a saudosa Campininha das Flores.
Era uma espera ansiosa, pois não via a hora de segurar na mão do meu pai e caminhar nas ruas deste bairro maravilhoso, onde nascemos e cultuamos juntos o amor incondicional pelo nosso glorioso Atlético Clube Goianiense.

Eram manhãs especiais. Encontrávamos com vários amigos no caminho, muitos de infância do meu pai, que também iam a pé para o estádio. Muitos eram os filhos dos amigos de meu pai, que eram meus amigos, e que jogavam comigo na escolinha, nos campinhos de areia que ficavam nos fundos do estádio. Sentia uma alegria muito grande de encontrar nossos amigos, que até hoje perduram na linha do tempo, fazendo de nós a família atleticana.

Éramos realmente fortes e unidos! Torcíamos, celebrávamos juntos os lances, os gols, gritávamos com os juízes e os bandeirinhas, vítimas constantes por estarem próximos, na beira do alambrado. Meus olhos saltitavam de alegria com os fogos de artifícios que brilhavam no céu, meus ouvidos se desorientavam proporcionando momentos emocionantes. Aos gritos de "Solta a fera" e ao balanço das redes adversárias, muitos pulos e abraços faziam de nós mais íntimos, mais família.
E nos intervalos? Uma moeda dada por meu pai me fazia correr de alegria ao encontro do carrinho de picolé, que sempre estava ali, às margens da tela que separava o campo da imensa torcida. Lembranças de um tempo muito mais doce que o picolé, que acalmava o coração em fogo de um menino atleticano.

Uma torcida linda, colorida de preto e vermelho, apaixonada, cheia de bandeiras, faixas nas cabeças, uma bateria barulhenta, e muita alegria. Lembro-me que tinha até uma banda marcial, tocando marchinhas, que embalavam mais de 3 mil vozes que gritavam do começo ao fim do jogo. Somas que faziam daqueles momentos mais que uma partida de futebol, e sim um espetáculo, que faziam de nós mais que uma torcida, mas uma família.

Fui privilegiado, por muitas vezes entrei de mãos dadas com jogadores no campo. O mascote, um personagem inesquecível da minha infância, um Dragão, que me causava euforia e alegrava aquela vibrante torcida. Eram tempos de muita felicidade e existia um sentimento de que fazer parte daquilo tudo era algo muito importante. Não era apenas torcer para um time, mas fazer parte de uma comunidade e de uma história que vinha de gerações passadas. Essas recordações me deixam orgulhoso de fazer parte dessa história. Sinto muitas saudades daquele tempo e me vem uma vontade gigante de continuar proporcionando aqueles sentimentos, que ajudaram a me construir como homem, filho, e agora pai.

A exemplo de meu pai quero que minha filha, quando maior, possa sentir o mesmo que sinto, que a casa do Atlético Clube Goianiense, o estádio Antônio Accioly, é sua segunda casa! Que os espetáculos atleticanos, desde sua idade mais tenra, possam ser tão fabulosos quanto são em minhas lembranças. Já imagino, minha valente atleticana nas arquibancadas, junto aos filhos dos amigos de infância, que ganhei ali, aos pulos e gritos, comendo amendoim e se refrescando com picolés e refrigerantes. Que o grito da minha pequena menina, seja tão forte e fiel quanto o meu!

Vejo a possibilidade de reprodução e continuidade da minha infância, na Campininha das Flores, no Accioly, no meu Dragão. Que o gramado possa ser sua inspiração, que de mãos dadas aos jogadores ela possa ver de perto o fantasioso e meigo dragão, alegrando novamente nossa torcida. Que seu coração pule de emoção em meio aos clarões e  trovoadas dos foguetes. Que sua alma comemore e viva cada emoção possível em uma partida do nosso Atlético.

É, porém temos observado, com olhos de muita tristeza, uma situação que nos deixa preocupados. Nossa casa está abandonada e nossos jogos cada dia mais vazios, com poucos torcedores, naquela imensidão que é o estádio Serra Dourada. E nós, torcedores fiéis, vivendo ainda muitas emoções e alegrias, sentimos falta do nosso Accioly e daquele tempo glorioso. Que os dirigentes possam entender a importância da nossa casa, do Atlético Clube Goianiense, para reaproximar nossa torcida, elevando as atrações nos jogos, para que possamos consolidar a história dos filhos e dos filhos de nossos filhos e para que sejamos cada dia maiores e melhores. Pois, para que haja uma família unida é preciso que se tenha um lugar seguro e aconchegante. É fato que sem uma casa nenhuma família tem condições de ser feliz, e o estádio Antônio Accioly, o bairro de Campinas, é a casa da família atleticana e do nosso Dragão.

      Schubert Martins
Representante Comercial, Estudante de Administração, Campineiro e torcedor apaixonado pelo Dragão.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Confrontos brasileiros na Sul-americana estão definidos

Estão definidos os confrontos Brasileiros na Copa Sul-americana 2015.

O Brasília entra por ter sido campeão da Copa Verde 2014.

Os outros são os melhores colocados no Campeonato Brasileiro, excluindo os da Libertadores e os classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil.

Critério ridículo. Vaga na Sul-americana é prêmio de consolação para os desclassificados da Copa do Brasil.

Outra trapalhada foi a CBF prometer vaga na Sul-americana para o campeão da Copa do Nordeste.

O Ceará conquistou esse direito em campo. Mas quando viram que o time cearense poderia chegar à fase oitavas de final da Copa do Brasil, trataram de publicar um comunicado avisando que o time cearense não poderia participar das duas competições.

As vagas na Sul-americana deveriam vir dos torneios regionais e dos melhores do Brasileiro, independente se estão ou não na Copa do Brasil.

Confrontos brasileiros:

Brasília x Goiás
Bahia x Sport
Ponte Preta x Chapecoense
Joinville x Atlético-PR

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Opinião do torcedor: Sem o estádio Antônio Accioly, Atlético Goianiense caminha para o seu fim.

Sem o estádio Antônio Accioly, Atlético Goianiense caminha para o seu fim.

Não existe nação sem território e, portanto, para se falar em nação de atleticanos é preciso identificar onde ela se territorializa. De onde vêm, suas origens e sua tradição. Assim se formam os clubes tradicionais do futebol em todos os cantos do mundo. A torcida é a alma do futebol, que infelizmente, no Brasil, vem sendo substituída por espaços vazios vendidos para as TVs. Por que no Brasil? Porque mesmo tendo transmissão de TVs, o futebol em outros países é sucesso de bilheteria e possui forte territorialidade. Como assim? Os torcedores freqüentam os estádios não apenas e simplesmente para ver aquela determinada partida contra X, Y ou Z. Eles freqüentam por tradição, por vocação ao símbolo do clube, por suas cores e por sua territorialidade naquele bairro, naquele lugar. Ali se construiu uma nação de fanáticos apaixonados.

No Brasil também se acha esse tipo de exemplo, podemos pegar os jogos do Sport de Recife na Ilha do Retiro, sempre cheios e energizados pela torcida. O Vitória da Bahia no Barradão. E o que dizer do Santa Cruz no Arruda? O ABC no Frasqueirão? O que esses clubes têm em comum? Deixam de jogar em grandes estádios existentes em suas cidades para se aproximar de suas torcidas e viver o território de cada um em seus respectivos lugares.

Em 2005 estive na reinauguração do Estádio Antônio Accioly, o reduto dos atleticanos goianos. Impressionante que um ano antes, estive no Estádio Olímpico Pedro Ludovico para assistir uma partida entre Atlético X Caldas Novas e não tinha nem 500 torcedores presentes. Mas na reinauguração do Accioly, com arquibancadas móveis e tudo mais, vi um Estádio bonito e colorido de vermelho e preto por todos os lados, 5 mil torcedores numa manhã quente de domingo, para ver um time que estava sendo montado para a segunda divisão do campeonato goiano. Mas ninguém estava ali por conta da qualidade em si do time que estava sendo formado. As pessoas estavam chorando, com lágrimas intermináveis, um sorriso de orelha a orelha e um peito estufado de orgulho de ver o Dragão de volta ao seu território. Assim, eu e os 5 mil atleticanos, naquela manhã, estávamos todos em alegria. O Atlético perdeu o amistoso para o Brasiliense por 3 X 1, mas ninguém estava chateado pelo placar, afinal, o Accioly estava de volta e o time era só questão de tempo.

De 2005 a 2010 não se viu um dia sequer de jogo vazio no Accioly, todos lotados. Em 2006, com a volta do time para o Campeonato Goiano da 1ª Divisão, todos os jogos no Accioly tiveram público maior que os estádios dos rivais em Goiânia, dando ao Atlético o título de maior média de público daquele campeonato. Outro fato interessante do campeonato goiano de 2006 é que nos jogos do Serra Dourada, quando todos pensavam que a torcida iria fazer feio, foram 16 mil torcedores no jogo de volta da semi-final contra Anapolina (e olha que o Dragão perdeu o jogo de ida por 3X1). Serra cheio e torcida vibrante deu nisso: Atlético 5 X 1 Anapolina. Chega a tão sonhada final e a torcida surpreende 44 mil presentes com a torcida rubro-negra lotando a metade oposta às cabines, foi uma grande surpresa para a imprensa local que passou a semana lamentando o Vila não ter ido pra final e que ela seria esvaziada.

Mas de onde veio essa torcida rubro-negra? Da Campininha, do Accioly, do território atleticano. Em 2007 novamente Accioly lotado e Serra Dourada cheio, principalmente na final contra o Goiás e com o título para Campinas.  Sempre que o Atlético iniciou a temporada jogando no Accioly a torcida compareceu ao Serra Dourada. Foram jogos inesquecíveis contra o Vila Nova pela Série C de 2007, com Serra lotado e muita vibração, bandeirões, bandeiras, fumaças e baterias. Em 2008 dois jogos me marcaram quanto ao público Atlético 1 X 2 Itumbiara com quase 8 mil pagantes no Accioly em um sábado chuvoso e Atlético 2 X 0 Brasil de Pelotas com 15 mil atleticanos num Serra Dourada encharcado pela chuva torrencial que caiu sobre Goiânia.

Em 2011 o Atlético vai abandonando o Accioly e, conseqüentemente sua torcida foi diminuindo e se distanciando, cada vez mais. Com o Accioly destruído, aos escombros novamente, a descrença e tristeza tomaram de conta da alma do torcedor atleticano, é como se o filme se repetisse e as cenas da destruição que estiveram presentes entre o final da década de 1990 e início de 2000 voltassem a rondar as cabeças rubro-negras. Em 2013 um grande suspiro, 16 mil torcedores no jogo da vida pela Série B (que exemplo de amor ao clube essa torcida demonstrou), um dos jogos mais emocionantes da história rubro-negra – Atlético 2 X 0 Guaratinguetá. Mas o público durante 2012, 2013, 2014 foi um vexame total. 5 anos sem o Accioly e sem torcida.

Me assusta a falta de sensibilidade da Diretoria do Atlético. Sensibilidade ou interesses estranhos? Não vou me esquecer que o atual presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Deputado Jovair Arantes, apoiou o  então presidente do Atlético no início dos anos 2000, Alencar Júnior, e que foi Alencar que tentou destruir o estádio Antônio Accioly para fazer um Shopping, além de querer mudar as cores e o mascote do time, o Dragão.  Dizem que foi Jovair que o levou Alencar Junior para dentro do Atlético e apoiou a proposta de fundir o Atlético com o Goiânia, dirigido naquele momento por seu irmão, Ibrahim Arantes. Sorte que os tradicionais dirigentes, torcedores de verdade, estavam por lá. Zenha, Álvaro Melo e tantos outros imortais apaixonados.

Hoje, o Atlético está novamente entregue nas mãos de um empresário, que não tem tradição como atleticano, e eis que Jovair novamente é um dos cabeças pensantes desta gestão e mais uma vez vem à tona a idéia de derrubar o Accioly e levantar um centro comercial. O que estará por trás disso tudo? Por que não enxergam a importância do Accioly para a torcida e para o Bairro de Campinas, pois o mesmo é Patrimônio Histórico de Goiânia e do tradicional Bairro de 200 anos. O que os fazem acreditar que o Serra ou o Olímpico passarão a ser a casa dos atleticanos? Ou será o fato de pessoas do grupo político do deputado estar à frente da administração das praças esportivas estatais? É isso que os faz pensar que será viável e que o Olímpico vai ser um caldeirão rubro-negro? Afinal quem está envolvido com os projetos têm outras visões. Mas é muito subjetivo para se saber, né?

O Atlético não pode ser desrespeitado por seus próprios dirigentes, que assim o fazem ao cogitar vender/arrendar, se desfazer do estádio Antônio Accioly. O Atlético tem torcida, tem tradição. Mesmo com o menor número de títulos goianos conquistados (Goiás 25, Vila 15, Goiânia 14 e Atlético 13), é o único clube que em todas as décadas disputou títulos e o segundo que mais disputou finais do Goiano (Goiás 41, Atlético 37, Goiânia 25 e Vila 23 vezes). Foi o primeiro campeão goiano, em 1944, primeiro goiano campeão nacional, Torneio da Integração Nacional em 1971, e o primeiro goiano campeão de uma série do brasileiro, em 1990. É o clube mais antigo, fundado em 1937, e do Bairro mais tradicional da Capital, bairro mais velho que a própria capital, pois Campinas tem mais de 200 anos.

O fato é que o Atlético sem o Accioly perde a alma, ou seja, sua torcida. Perde sua tradição e se desterritorializa enquanto uma nação de torcedores. Por favor dirigentes, torcida, políticos torcedores, empresários torcedores, não deixem isso acontecer.

Ubiratan Francisco de Oliveira é Professor Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Tocantins. Torcedor Atleticano e ex-apresentador do Programa A Hora do Dragão que foi ao Ar em 2007 pela Difusora Goiânia.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A verdade sobre o afastamento de Erik

O maior problema do Erik no Goiás foi o ambiente com o grupo.

Problemas de convivência e reclamações de corpo mole em alguns jogos agravaram a situação.

Erik mostrava alterações de comportamento. Depois de se destacar no ano passado e ter o salário multiplicado, o jogador passou se descontrolar também financeiramente.

A situação piorou quando os outros jogadores o acusaram internamente de ter simulado contusão e não ter viajado à Tucuruí/PR para jogar contra o Independente pela Copa do Brasil.

Quando ficou fora do jogo do Sport, Erik esperou o Goiás perder para colocar indireta na internet. O grupo sentiu como se ele estivesse "comemorando".

Hélio comprou a briga pelo grupo. A diretoria respaldou a decisão no início mas recuou na semana passada. O presidente Sérgio Rassi sugeriu que Hélio dos Anjos lhe desse uma nova oportunidade.

Não foi atendido, é claro, seria a desmoralização completa.

Erik será vendido em Agosto por um preço muito menor do que se imaginava.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Atlético-GO: Rendas de Goiânia somadas ainda não superaram a de Brasília.

O Atlético/GO fez 12 jogos no Serra Dourada e um em Brasília como mandante.

A renda bruta, e até a líquida, no estádio Mané Garrincha supera a renda bruta a dos 12 jogos de Goiânia somados.

Renda bruta, Serra Dourada:
Goianão (7 jogos): R$ 116.790,00
Copa do Brasil (2 jogos): R$ 21.105,00
Série B (3 jogos em Goiânia):
Atlético x Boa: R$ 11.238,00
Atlético x Luverdense: R$ 6.565,00
Atlético x Náutico: R$ 22.640,00

Total: R$ 178.338,00

Atlético x Botafogo, no estádio Mané Garrincha:
Renda bruta: R$ 371.439,00
Renda líquida: R$ 272.320,61

No jogo do Náutico o preço foi 40 reais, 20 com promoção e não 10 reais como nos outros jogos em Goiânia.

O que foi arrecadado em Goiânia não paga nem o salário do goleiro Márcio.

Dá para concluir, que se anteriormente o preço fosse 20 a arrecadação teria sido muito melhor.

O ex-presidente Valdivino de Oliveira tinha razão. Nem sempre uma promoção significa aumento de arrecadação.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Torcedor opina: Respeite o Estádio Antônio Accioly e suas cores!

Respeite o Estádio Antônio Accioly e suas cores!

Por Mailcon Emílio, torcedor do Atlético Clube Goianiense.

          Sempre me perguntam se sou de Campinas quando descobrem que sou atleticano. Na verdade, quando dei conta que era atleticano, morava nas vizinhanças, passando por Vila Operária, Vila Santa Helena, Setor Centro-Oeste, Fama e Marechal Rondon, não bem nessa ordem pois já faz um tempo e nem lembro a sequência. Eu tinha uns doze anos e passar por tantos bairros fazia parte da peregrinação de quem morava de aluguel. Engraçado, que os domingos tinham certas rotinas e uma delas era acordar para ir a Matriz de Campinas, assistir a missa das crianças e depois a catequese no Colégio Santa Clara ou Centro de Catequese no fundo da Igreja, uma obrigação dada pela minha mãe, católica fervorosa.

          Após a catequização, a rotina começou a mudar e após a missa dominical, surgia uma nova doutrina, aquela que bom campineiro passa de pai pra filho, de tio pra sobrinho, de avó pra neto, ir aos jogos matinais do Atlético. O melhor que meu pai nunca falou que eu tinha que torcer pro time, nunca me deu uma camisa, só levava aos jogos para sua companhia. No trajeto, íamos a pé, era perto, percebia pessoas saindo de suas casas de camisas rubro-negras, estampando Madeireira Lisboa, outras subindo ruas do Setor dos Funcionários, caminhando na mesma direção, Estádio Antônio Accioly.  Eu nem entendia muito bem porém depois de alguns jogos descobri quem era o ponta esquerda, William, habilidoso, ficava driblando até que os adversários caíssem no chão, sob gargalhadas dos torcedores, eu era mais um. Logo, aprendi também que o bom era chegar cedo, procurar um lugar na arquibancada coberta, pois caso chegasse tarde era encostar no alambrado e ficar escutando os torcedores atazanando a paciência dos adversários e dos bandeirinhas, as gargalhadas se repetiam. Parecia que todo mundo se conhecia, meu pai mostrava ex-jogadores que também compareciam como torcedores, como Dadi, Pedro Bala, Waltair e tanto outros e contava histórias sobre eles e das suas jogadas. E lá se aprendia de tudo, palavrões encorpados, chamar o picolezeiro no assobio, esperar pra comprar ingresso na fila, mais uma fila pra entrar pois só tinha quatro catracas e depois dos jogos a gritar o famoso “tá cedo”. Se o jogo fosse importante o Atlético entrava debaixo de um ensurdecedor foguetório, dois a três minutos enfumaçados, torcedores chegavam com bandeiras rubro-negras, não eram faixas, não precisava declarar o amor ao time em faixas, talvez a demonstração do amor estava no tamanho das bandeiras, numa competição pra ver quem tinha a mais bonita e a flamulava melhor.

          Infelizmente, na minha opinião, o Atlético vem errando estrategicamente. Entrou na cabeça dos atuais dirigentes que melhor solução é arrendar o Antônio Accioly, esquecendo suas histórias e a identidade com a região de Campinas, e construir um novo shopping e boom! Teríamos solução para todos os problemas do clube. Pra que estádio Antônio Accioly se já tem Serra Dourada e logo vai ter o Olímpico moderno e com certeza caro! Agora eu pergunto, qual o melhor lugar do mundo!? Qualquer pesquisa simples vai apontar vários lugares mas se colocassem como uma das alternativas: a sua casa, essa vai ganhar! Todo mundo quer uma casa, é lá que nos sentimos bem, se tiver conforto, melhor ainda, se for bonita, melhor ainda, e se for grande, melhor ainda. Mas mesmo que não seja tão confortável, de aluguel e caindo aos pedaços, pessoas ainda responderam que o melhor lugar do mundo é a sua casa. Poxa, será que esses caras não percebem que num estádio nosso o torcedor se sentiria em casa? Se sentiria mais seguro? Se sentiria entre pessoas da mesma família? E se no Accioly tivesse pula-pula para as crianças, pulando junto com o mascote do Atlético. Um barzinho organizado com variedades e com preço de mercado onde o torcedor pudesse chegar antes do jogo e confraternizar com as pessoas da sua família, do Facebook, da vizinhança, do trabalho. E se lá tivesse um Museu, estátuas de jogadores, com fotos importantes dos campeonatos passados, de Campinas, camisas antigas, passando vídeos de gols pra relembrar momentos históricos. Um cinema, pois tem mulher que não gosta de futebol e então poderia assistir um filme junto com outras que não gostam, durante o jogo, mas estaria ali perto do marido enquanto ele torce na arquibancada. Começo a pensar e me vem milhares de alternativas menos a do shopping que em Goiânia tem mais que lan house e pit-dog! Eles preferem vender a ideia que estão prontos a desfazer do estádio, nem pensam que desvalorizam o seu próprio patrimônio.

          Esquecem que o prazer do futebol não está somente, no esporte, no jogo e no time, mas na certeza da boa convivência entre pessoas e compartilhamento da mesma emoção, aquela alegria de torcer para mesmo clube, da mesma origem e da mesma história.                    


sábado, 30 de maio de 2015

Sobre a nota de repúdio do Goiás contra a Caixa

O Dr. Sérgio Rassi, presidente do Goiás, não agiu bem ao divulgar uma nota de repúdio contra a Caixa Econômica Federal. Não ajuda em nada. Não é assim que se trata um cliente que lha dá uma resposta negativa. O "não" de hoje pode ser um "sim" amanhã. Essa posição de revolta não é uma atitude profissional.

O presidente alega que já estava tudo acertado. Acredito que estava mesmo. Porém a direção da empresa agora é outra, saiu Jorge Hereda e entrou Miriam Belchior, com orientação do Ministério da Fazenda de reduzir gastos.

Mudança de planos acontecem em qualquer empresa. Já aconteceu até com o Goiás.

Em 2012 o time fechou um patrocínio com a fábrica de tintas Luztol e de uma hora para outra mudou os planos para colocar uma empresa da família Rassi na camisa.

Em relação à Caixa não foi só o Goiás que ficou sem patrocínio. Atlético-MG, Bahia, Cruzeiro e outros também tinham acertos caminhados e ficaram de fora. O Paraná saiu por falta de certidões, ASA/AL e América/RN perderam o patrocínio por estarem na Série C.

Para 2016 decidiram que patrocinarão apenas times da Série A. A idéia é de fazer contratos anuais apenas com times que disputem a Libertadores. Ou seja, o banco não descarta negociações futuras.

E o Goiás, depois desse chilique, com que "cara" poderia voltar a negociar?

O presidente também reclama "merecimento" por ter pago dívidas e ter conseguido certidões. Pagar dívidas é obrigação. Marketing é outra história.

Por outro lado sou contra a Caixa Econômica investir no futebol profissional. Mesmo que esteja obedecendo critérios técnicos e disputando o mercado com empresas privadas, quando se envolve paixão e dinheiro público isso dá margem à interpretações apaixonadas. Geralmente o torcedor não entende, ou não quer entender, os motivos que levam um time a ganhar 30 milhões como o Corinthians e o CRB que ganha 500 mil. Cada um tem seu merecimento e sua negociação, mas isso não é compreendido por todos.

Entendo que esses patrocínios trazem mais repercusão negativa do que positiva.

A Caixa poderia investir de maneiras diferentes esse dinheiro. Como por exemplo subsidiando preços de ingressos

E voltando ao Goiás. Não quero acreditar que o time estava contando com a Caixa e não estava procurando outras empresas.

O que precisa é correr atrás, ter um plano de Marketing e apresentar para as empresas. Muitos outros "nãos" virão, porém em algum momento virá o "sim". O time tem um bom potencial de divulgação para qualquer marca. E é bom lembrar que o merecimento de um patrocínio é proporcional ao investimento.

Nota oficial emitia pelo presidente Sérgio Rassi:

Estou perplexo com informação recebida e confirmada pela diretoria da Caixa que estamos "fora" do rol de times a serem patrocinados pela mesma em 2015!

Muito claro e certo na minha memória, quando há cerca de 2 anos, na gestão do Dr. Joao Bosco, lá fomos pedir este patrocínio e tivemos como resposta: "o Goiás Esporte Clube há 3 anos consta em nossa lista de intenções e, até o momento só dela não faz parte porque não é detentora das certidões negativas de débito; traga-as que vocês farão parte dessa lista"!!

No início de nossa gestão, há cerca de 14 meses, arregaçamos as mangas de nossas camisas e começamos a trabalhar neste sentido, cortando da própria carne. Obviamente que não por determinação da Caixa...mas por filosofia de trabalho, tendo, contudo, como premiação aos nossos esforços, o dito patrocínio. Tivemos redução brutal das quotas de TV por antecipações praticadas anteriormente, ficamos sem patrocinador máster em nossa camisa desde maio de 2014 e, ainda pior, não tivemos a compreensão de maioria de nossos torcedores que abandonaram os estádios! Ainda neste cenário adverso, instituímos medidas, tais quais, limitação salarial, recolhimento rigoroso de impostos, assim como quitação de dívidas trabalhistas e extrema contenção de gastos, com proibição de contratações de novos funcionários e demissão daqueles considerados supérfluos à instituição. Sob extrema dificuldade cumprimos nossas obrigações salariais em dia, assim como premiações por desempenho. Tivemos a competência de jogadores da base, que subiram ao time principal e, graças a esses heróis gladiadores esmeraldinos, fizemos boa campanha no campeonato nacional, em nenhum momento sob risco de rebaixamento, além da conquista do campeonato goiano de 2015 e a "quase" conquista de bicampeonato em 2014, em condições de exceção, não consolidadas.
Em 2015 muito alarde se fez à medida provisória adotada pelo governo no sentido de moralização fiscal e trabalhista. Batizada como "Proforte", veio ganhando corpo e discussão ao longo dos meses, com diversas polêmicas e modificações. O Goiás Esporte Clube tem ficado alheio a essa situação, porque não precisa se adequar aos termos da medida! Conseguimos, por esforços próprios, cumprirmos além dos quesitos requeridos! 

Este é o grande paradoxo da questão!! Como o governo apregoa o rigor fiscal e trabalhista e marginaliza clubes que rezam sistematicamente desta cartilha?? Vejam a performance do GEC, financeiramente, em 2014. Fomos o time com melhor desempenho em termos de balança econômica, com redução de débito em 22% (cerca de 15 milhões de reais), em que pese toda a dificuldade de receita mencionada!! Ao passo que todos os demais times da série A (com exceção do Flamengo) aumentaram seus déficits financeiros.

Que país é esse, que vive do corporativismo e apadrinhamento de seus comparsas, praticando o clientelismo dos comissionamentos e superfaturamentos??

Que país é esse que não reconhece o mérito e o trabalho honesto!!

Que não premia o bom aluno ou o bom desempenho?? Que prefere virar as costas aos que prometeu ajudar se assim merecesse!!

Torcedor esmeraldino, não precisamos desta humilhação!! Vamos estampar em nossa camisa aquilo que orgulhamos em expor! NOSSO PRÓPRIO NOME!!

Venha e assine-a comigo! Vamos mostrar a todos que somos maiores que nossas adversidades! Que esta injustiça nos faça crescer ainda mais, às nossas próprias custas e méritos!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

E agora Felipão?

A carreira de Luis Felipe Scolari está seriamente comprometida.

O estilo de trabalho ultrapassado não dá mais resultado. E o seu maior erro é não admitir, não se reciclar.

"Eu ganho, nós empatamos e eles perdem". Esse é o lema de Felipão.

No Grêmio ele chegou a deixar o campo esse ano durante uma derrota. Nas vitórias se vangloriava de suas estratégias e quando perdia falava da falta de qualidade dos seus jogadores e a falta de investimento dos dirigentes.

O trabalho foi péssimo, horroroso. O Grêmio o demitiu na hora certa. Antes que seja tarde.

E na cabeça dele está tudo certo. Até hoje, inclusive, ele fala que o seu trabalho foi perfeito na Copa.

Também disse, recentemente, que recebe no mínimo uma proposta por mês.

Veremos...