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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A falta de bom senso do Bom Senso FC

Achei interessante quando surgiu o Bom Senso FC.

Tudo que for para melhorar é bem vindo.

Na minha opinião o Bom Senso deve ser um movimento de discussão da organização do futebol. Discutir mas não impor.

Criticar cartolas seria mais cômodo, mas não vou nessa onda. Precisamos ter discernimento (bom senso) do que nos parece bom ou ruim.

Aliás, para os jogadores parecia estar tudo certo, ninguém reclamava de nada até um dia desses, isso até sair o calendário de 2014 com um período de férias reduzido.

Aí, alguns jogadores como Alex, Rogério Ceni, Cris, Dida, Paulo André, Seedorf e Juninho Pernambucano, deram o grito. Junto com a reclamação do calendário acabaram surgindo outras reivindicações.

O movimento ganhou apoio de outro jogadores, muitos com certeza até nem sabem direito o que reivindicam.

A CBF publicou uma nota recente divulgando o encaminhamento de providência das reivindicações do movimento.

Mesmo com alguns pontos ainda divergentes já foi um avanço. E a CBF propõe o período de recesso para aprofundar a discussão.

Paulo André, um dos líderes do BSFC, disse que a nota foi vaga e que os protestos aumentarão.

Peraí? O que ele queria?

Então meia dúzia de jogadores lançam uma série de propostas e aí tudo deve ser aceito na hora?

Baseados em que eles tem convicção de que as idéias propostas, ou impostas, vão ajudar o futebol brasileiro?

A idéia do Fair Play financeiro é excelente. A proposta do BSFC é 100% viável.

Mas a proposta de calendário com 650 times na Copa do Brasil é coisa de doido. Os estudiosos que nunca foram a um estádio, que não conhecem nenhum time, se baseiam na Copa da Inglaterra, um país menor do que o estado do Maranhão.

Reduzir o número de jogos é interessante. Mas tirar datas dos estaduais é para matar os times pequenos.

Sem contar o disparate de propor as "Copas Estaduais" com 32 times, onde em alguns estados o número de participantes poderia ser completado com times amadores. Ah não, gente! Me ajuda aí!

Se os estaduais tiverem 7 datas, poderemos ver o Gauchão sem Gre-nal, Carioca sem Fla-Flu, Goiano sem Goiás X Vila, paulistão sem Corinthians x Palmeiras e etc. Seria a morte das rivalidades regionais. Fora que acabará a oportunidade dos pequenos de ter um calendário mínimo, que hoje é de apenas 3 meses.

E o pior é que ninguém perguntou para os pequenos se é isso que eles querem.

O Bom Senso FC, tem que agir como o nome que o determina. Não pode ser um movimento intransigente e elitista, com jogadores endinheirados em fim de carreira, reclamando o que hoje está ruim para eles, mas que está bom para outros. Há de se pensar nos outros 95% de jogadores que sonham estar no lugar deles, jogando 60, 70, 80 vezes por ano, ganhando bons salários e bichos.

Ainda sobre o calendário, há de se ressaltar, que o problema também está na Conmebol, a Libertadores e Sul-Americana hoje são competições inchadas. Me lembro do futebol Brasileiro ter 3 vagas para a Libertadores, hoje são 6, e outras 4 para a antiga Copa Conmebol, hoje são 8.

Então a discussão é muito mais ampla.

Não é coisa para ser resolvida na base da birra, fazendo bico, cruzando os braços e arrastando o bumbum no chão em campo de futebol.

É preciso da opinião dos clubes, das federações e dos sindicatos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Goiás perde 2 mandos de campo... Em 2014

A briga entre torcedores do Goiás no confronto diante do Atlético-PR, realizado no dia 20 de outubro, resultou em punição da equipe esmeraldina, com perda de dois mandos de campo.

A julgamento do recurso, no pleno do STJD, aconteceu nesta quinta-feira (28/11).

Mas a pena só será cumprida em 2014.

Isso, por quê não há prazo legal para a aplicação da pena no último jogo contra o Santos no dia 8 de Dezembro.

A CBF só modifica algum jogo por perda de mando de campo, obedecendo o prazo mínimo de dez dias. Como o o julgamento será no dia 28, a CBF só será notificada no dia 29. Como não é contado o dia do julgamento e nem o do jogo, o intervalo será de 9 dias.

Como a "regra é clara" aí só ano que vem:

Art. 67 - § 3º - A DCO somente executará a pena de perda de mando de campo, na partida que venha a ocorrer após decorridos dez dias da decisão da Justiça Desportiva que a impuser, tendo em vista os prazos necessários para as ações logísticas relacionadas com a mudança do local da partida, inclusive emissão e venda de ingressos, considerando os prazos estabelecidos pela Lei nº 10.671/03, e ainda considerando as necessidades de reservas de vôos e hospedagem das delegações dos clubes envolvidos. 
  
§ 4º - A DCO deverá comunicar formalmente o novo local da partida resultante do cumprimento da pena da perda do mando de campo, no prazo de três dias decorridos da data do julgamento. 

Art. 68 - Quando ao final de uma competição uma penalidade de suspensão por partida aplicada pelo STJD à atleta restar pendente, tal pena deverá ser cumprida obrigatoriamente em competição subsequente, de qualquer natureza, mas necessariamente dentre as competições coordenadas pela CBF. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sobre eleições no Vila Nova

Vem aí as eleições no Vila Nova.

O clima está agitado nos bastidores.

Qualquer conselheiro, que esteja em dia com as mensalidades, pode votar e ser votado, é um direito.

Mas existem situações e situações.

No início de junho o Vila estava mergulhado em uma crise. Salários de jogadores e funcionários atrasados, greve, luz cortada e jogador deixando o time por falta de pagamento de FGTS.

Eis que surge novamente o grupo de Leonardo Rizzo, composto por Carlos Alberto Barros, Newton Ferreira, José Eduardo, Edson Pio e Joas Abrantes.

Mesmo não tendo um grande time, as coisas foram ajustadas fora de campo e o Vila conseguiu o acesso para a Série B.

Uma vitória em um ano que começou sem perspectivas.

E agora vem a eleição.

Uma nova geração de conselheiros pede para participar da gestão do Vila Nova. Alegam que o grupo lhe negou espaço.

O grupo alega que o "espaço" que queriam era a presidência, com o nome de Gutemberg Veronez.

Pois bem, o grupo então resolveu lançar o nome do atual presidente Joás Abrantes e aí o negócio pipocou.

Surgiu então uma nova chapa. Com Gutemberg, Magib Fleury e Joelmir Gonçalves, conselheiros atuantes e de prestígio no Vila Nova. A nova chapa garante não ter a presença de Geso Oliveira e Marcos Martinez, ex-presidentes que tem uma rejeição muito grande no clube.

O grupo articulado agora com Carlos Alberto Barros não aceita disputar as eleições se não for por aclamação.

A confusão está formada.

É legítimo o direito de disputar a eleição. Mas considero essa formação de oposição inoportuna.

Acredito que deve haver um mínimo de bom senso dos conselheiros e conceder ao grupo a oportunidade de continuar no Vila.

Por quê na hora ruim eles serviam e agora não servem?

Onde esse grupo de oposição estava em Junho que não assumiu o clube? Era só querer que Paulo Diniz passava o bastão para eles.

Entendo que novos conselheiros queiram participar, mas cada um deve buscar o seu espaço, de forma gradativa e na hora certa. Tem muitas áreas onde vários podem ajudar.

Também não vejo que seja verdade que o grupo atual não dá espaço à novas pessoas. Joás Abrantes, Rodrigo Nogueira e Rodolfo Motta são os exemplos.

Também entendo que se o atual grupo não disputar a eleição será uma renúncia. Eles deviam prever que isso poderia ocorrer. Seria uma atitude radical que comprovaria a intransigência que lhe acusam. Vencendo entrariam no poder fortalecidos, perdendo, sairiam por cima, onde ficaria provada a falta de gratidão do conselho com aqueles que socorreram o clube no momento em que mais precisava.

O problema é que entre situação, oposição e outras vias as diferenças de idéias são grandes, a falta de capacidade de se entender também. Aí vira uma discórdia eterna.

Quem está no poder não tem sossego para trabalhar e o Vila sai perdendo sempre.

Vamos ver no que vai dar dessa vez.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Fica João Bosco

O campeonato está em andamento e o assunto de eleições no Goiás está borbulhando nos bastidores.

A gestão João Bosco Luz é extremamente vitoriosa.

Sem endividar o clube, com um time bem montado e planejado, foram conquistados dois campeonatos goianos, a Série B de 2012 e o time vive um dos melhores anos de sua história. Talvez até seja o melhor de todos. Na mesma temporada o Goiás conseguiu ir muito bem em todas as competições.

Mas alguém poderá dizer que ele não faz as coisas sozinho. Verdade, e aí está uma das virtudes do presidente, distribuindo tarefas e ouvindo os pares de diretoria, desse modo ele faz uma grande administração. Faz o seu papel com competência, dentro e fora de campo.

Eu tenho a opinião que a continuidade dele na presidência é tão fundamental ao Goiás como a permanência do atacante Walter e do técnico Enderson Moreira.

Aliás, não só ele, mas que essa diretoria toda permaneça.

Porém, ele diz que não é candidato à reeleição.

Ele afirmou que depois de concluir o seu mandato vai cuidar de sua vida profissional e pessoal.

Entendo também essa parte, já que presidente do Goiás não recebe remuneração.

Nem sei se o problema é exatamente esse.

Mas imaginem , você mesmo leitor, ficar 2 anos dividindo a sua atividade, o seu negócio e a sua família com outro afazer que exige uma dedicação diária, viagens, problemas a resolver a todo momento. Não é fácil. Também entenderei se ele não topar continuar.

O futebol evoluiu muito, hoje os dirigentes devem ser mais profissionais executivos do que abnegados que despacham no clube no fim de tarde.

Mesmo assim, se fosse um conselheiro, o pediria para ficar mais dois anos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A hora do Dragão

O que parecia impossível aconteceu.

O Atlético está com a faca e o queijo nas mãos para continuar na Série B.

É só ganhar, se livrar do pior e repensar o futuro.

Lugar de torcedor do Atlético, sábado, 16:20, será o Serra Dourada.

Só um motivo muito forte para justificar a ausência de algum atleticano.

Sobre a torcida, segue abaixo, um texto elaborado pelo torcedor rubro-negro Paulo Winicius Teixeira de Paula, mestrando em História (UFG).

Lembrando, que não vi desrespeito nas palavras o presidente, a citação pode ter sido sim desnecessária.

A colocação serve de reflexão, pois jogo do Atlético virou sinônimo de arquibancadas vazias. Reflexão principalmente para os dirigentes reverem o distanciamento que tiveram da torcida nos últimos anos. Sempre digo que o princípio de administração de um time de futebol deve se voltar primeiramente ao torcedor. Se o futebol for feito pensando no seu público é meio caminho andado. Isso se refere não só a política de preços de ingressos mas também a um trabalho que dê confiança ao público que vale a pena ir para o estádio. Historicamente o torcedor rubro-negro sempre apoiou o time quando se havia um mínimo de identidade com os jogadores. Porém, nos últimos anos, o Dragão virou um time como os de empresários, com alta rotatividade de jogadores e técnicos.

Mas o destino coloca mais uma oportunidade de ressurgimento do Atlético Goianiense e o time, com jogadores tão massacrado na boca dos seus dirigentes, terá o apoio em massa dos seus torcedores, tão ignorados pelos mandatários do clube.

Segue o texto de autoria de Paulo Winicius Teixeira de Paula:

“Respeite as cores, dr. João”
“Porque Narciso acha feio o que não é espelho”
Caetano Veloso
O presidente do Goiás, João Bosco Luz, na semana passada após o jogo contra a Ponte Preta reclamou do público de 7.103 presentes e, resolvendo comparar a torcida do Goiás à do Atlético, saiu-se com a frase “eu não acredito que a torcida do Goiás seja a torcida do Atlético”. Os atleticanos, vilanovenses e cronistas devem ter ficado se perguntando: por que falar do Atlético em um momento onde o Goiás disputa o vice-campeonato da Série A e o Atlético caminha para a Série C?

A resposta não é tão difícil assim: o Atlético incomoda e muito o time verde do Alto da Serrinha. E quem ganha com isso é a rivalidade do futebol goiano, ingrediente esse que faz nosso futebol tão interessante. Os times de futebol, assim como as pessoas, assumem com o tempo determinadas características e estereótipos. O Corinthians é tido como “time do povão”, da periferia; o Fluminense e o São Paulo, times com cara de aristocracia; o Botafogo, o da superstição; o Vila Nova, paixão popular; o Atlético Goianiense é tradição e o Grêmio inspira luta e determinação, entre outros. Em nosso Estado, o Goiás assume para si a postura de time arrogante, de empáfia e soberba. Os dirigentes do Goiás literalmente vestem essa camisa e contribuem com essa imagem, a de time mais rico e “bom de bastidores” (eufemismo para o fato de ganhar jogos e campeonatos fora das quatro linhas).

Quando o dirigente do Goiás se preocupa em menosprezar a torcida do Atlético ele está na verdade demonstrando o quão difícil é ao “Gigante do Centro-Oeste” assimilar as nem tão recentes derrotas e o espaço que perdeu para o Dragão (mesmo já tendo reconquistado tal espaço). Atlético que, nos últimos 30 anos, foi o único time goiano que conseguiu ficar acima do Goiás em nível nacional, mesmo que por um breve tempo — 2010 a 2012 —na Série A, enquanto o Goiás era rebaixado e amargava dois anos de Série B. O Goiás, pela primeira vez em sua história, teve de ouvir o grito de “Ão, ão, ao, Segunda Divisão!” que tanto sua torcida já havia cantado para seus rivais locais.

Mas qual o problema disso, dr. João Bosco? Times uma hora estão por cima, outra hora por baixo. “Mas não o Goiás”, diria nosso nobre dirigente esmeraldino. E reside aí o problema dos nossos amigos “mochés”, como carinhosamente os chamamos nós atleticanos e também os vilanovenses. Para o Goiás, a história do futebol goiano se inicia quando eles começam a disputar a Primeira Divisão do futebol nacional. O clube esmeraldino tem de se convencer que sua torcida sempre foi a maior e que sempre tiveram mais títulos. Ledo engano. Até os anos 1970 o Goiás era o menor time da capital, sua torcida era conhecida como a torcida dos 33 torcedores, era o time com menos títulos entre seus rivais locais e assistia como espectador o clássico das massas entre Atlético e Vila Nova. E qual o problema em assumirem que vieram de baixo, que fizeram boas administrações e chegaram ao topo? Não. Isso não combina com o Goiás.

Já nós, atleticanos, temos o maior orgulho de dizer que somos o time mais tradicional do Estado, primeiros campeões goianos em 1944, primeiro time goiano a ganhar de um time do eixo Rio-São Paulo (1 a 0 sobre o São Paulo, em 1958, no Estádio Olímpico), primeiros a ganhar um título nacional (Torneio da Integração Nacional, em cima da Ponte Preta, em 1971, em campeonato que o próprio Goiás participou). Não temos memória curta ao recordarmos que um dos jogadores mais lembrados pelo Goiás, pelo histórico empate por 4 a 4 com o Santos de Pelé foi Paghetti, campeão goiano com o Dragão em 1970 e depois emprestado para o Goiás jogar o Nacional.

Lembramos com orgulho que saímos das cinzas. De 1972 a 2006 ganhamos apenas três títulos, ficamos sem estádio e ressurgimos para sermos campeões de público do Goianão em 2006, para dividir estádio e sermos até maioria em jogos contra São Paulo, Palmeiras e Flamengo no Serra Dourada.  A torcida do Goiás realmente não é a do Atlético, dr. João. Temos orgulho de não termos arrastões, brigas e gangues na torcida do Dragão; não ilustramos os noticiários do meio-dia, ninguém vai a um jogo do Atlético com medo de levar seus avós e filhos, somos uma torcida de velhos e crianças e temos muito orgulho disso. Disputando a Série C já levamos 13 mil pessoas contra o Campinense (PB) em 2008 e me arrisco a dizer que se estivéssemos disputando o vice-campeonato da série A como vocês, e com 5 mil ingressos da nota fiscal, provavelmente colocaríamos mais de 7 mil  torcedores no estádio.

Caro João Bosco, o Goiás é grande. Não se preocupe, da sua fundação até a década de 1970 foi pequeno, mas se tornou grande, não precisa renegar a história de vocês. Se vocês ficaram mais de 30 anos na Série A e até hoje têm de ouvir que a torcida mais apaixonada do Estado é a do Vila Nova, nós não temos culpa. Se puderam ser ultrapassados recentemente pelo Atlético, o mais tradicional do Estado, mas um time que parecia morto, não temos culpa.  Cada um tem seu valor e, quando torcer pelo Goiás não era  moda de TV e quase não se tinha notícia do time dos 33, o Dragão já lotava estádios, dava muitas alegrias e já tinha muitos títulos. Portanto, nunca se esqueça de que é preciso respeitar as cores, aqui temos muita história.

Paulo Winicius Teixeira de Paula é atleticano e mestrando em História (UFG). 
E-mail: paulowinicius@gmail.com