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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os Zveiter e as polêmicas

Em 1996, Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, convida Luiz, o primeiro Zveiter para presidir o STJD.

Vale dizer que a família goza de uma certa influência, Waldemar Zveiter, pai de Sérgio e Luiz, avô de Flávio, desembargador e ex-ministro do STJ, foi advogado e amigo pessoal de Roberto Marinho, fundador das organizações Globo.

Marcelo Campos Pinto, da Globo, foi quem recomendou aos clubes, em junho de 2012, a indicação Flávio Zveiter para a presidência do STJD.

Na final de 1997 o atacante Edmundo recebeu o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo decisivo e, por conseqüência, não jogaria a partida de volta. Orientado pela "boa-fé" de seus dirigentes, flagrados pelas câmaras de tv, agrediu covardemente o jogador Cléber e provocou sua expulsão. Antes do jogo final, em
julgamento coincidentemente antecipado, o jogador foi absolvido, não cumpriu a suspensão automática e o “animal” pôde jogar no Maracanã quando a equipe cruzmaltina sagrou-se campeã. O julgamento, que tive a oportunidade de assistir, foi uma das coisas mais vergonhosas da história do futebol brasileiro. Um auditor do TE (Tribunal Especial), da qual Sérgio Zveiter fazia parte, disse que o chute de Edmundo não era uma agressão e sim um "passo de balé". Na época, Luiz Zveiter presidia o STJD.

Em 1999, o Botafogo foi salvo do rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro por uma interpretação do então presidente do STJD, Sérgio Zveiter, que, assim como o irmão, nunca negou a paixão pelo clube carioca. Na oportunidade, ao constatar que o atacante do São Paulo, Sandro Hiroshi, tinha uma certidão de nascimento falsa, a CBF determinou a correção nos documentos do atleta. Mas lhe deu condições de jogo. Sérgio Zveiter, no entanto, fez outra leitura do caso e concedeu ao Botafogo os pontos da derrota para o clube paulista.

A decisão arbitrária e irregular provocou uma ação de um partido político em prol do Gama na justiça comum, que culminou no surgimento de outra vergonha na história do futebol brasileiro: a Copa João Havelange.

Feita a lambança, em 2000, Luiz Zveiter volta com tudo, na sua gestão nunca se viu um presidente de STJD aparecer tanto. O nome dele era tão falado quanto os dos jogadores que se destacavam na época. Luiz assitia um jogo, via uma suposta agressão, às vezes mesmo sem o árbitro dar falta ou cartão, ele já mandava uma suspensão preventiva no pobre coitado.

Agora imaginem o filho, Flávinho Zveiter, estudante de direito, a influência familiar que ele tinha, vendo essas aberrações acontecerem. Através das atitudes do pai e do tio, ele via que não precisava ser árbitro e nem jogador para decidir um lance, uma partida, um rebaixamento, um título.

Mas a maior de Luiz foi em 2005. Após a descoberta do escândalo de arbitragem conhecido da máfia do apito, o presidente do STJD, anulou SOZINHO, os 11 jogos do Campeonato Brasileiro apitados por Edilson Pereira de Carvalho. Não teve julgamento, só a comunicação do chefão dos jogos anulados. Alguns clubes tentaram recorrer, o recurso não foi aceito. A decisão arbitrária provocou novas partidas e com alguns resultados diferentes a classificação do campeonato foi alterada e o Corinthians conquistou um título que estava nas mãos do Internacional.

O futebol só ficou livre de Luiz Zveiter quando o CNJ decidiu expulsá-lo do STJD, que considerou inconciliáveis e incompatíveis o exercício do cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro com a função de presidente do STJD.

Aí o futebol teve um período de calmaria nos seis anos da gestão de Rubens Aprobatto.

E agora, em apenas um ano e meio de comando do STJD, o Zveiter da vez não decepcionou as tradições da família.