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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Domingo de clássico no Goianão

Neste domingo tem Goiás x Atlético.

Um grande clássico. Rivalidade e tradição. Principalmente nos últimos anos.

Eu não sabia, mas vi no "Wikipédia" que é o clássico do equilíbrio.

Será?

Faz sentido, o que dá de empate nesses confrontos não tá no gibi.

Sigo o que dizia o saudoso amigo Washington Luiz. "Todo jogo tem favorito, até em par ou ímpar".

Pelo que vi nos dois primeiros jogos acredito que o Goiás chega melhor e é favorito.

O Atlético tem no goleiro Márcio a sua referência. Não fosse ele, certamente, o Dragão não teria 4 pontos.

O Goiás, embora esteja longe do ideal, tem mais jogadores em condições de decidir. Além da segurança do goleiro Renan, tem David como referência no meio campo e o Erik no ataque.

Segue agora um texto que o amigo atleticano Paulo Maskote me mandou.

Com uma pitada de provocação ele dá a sua opinião e fala das suas expectativas.

Achei interessante ele lembrar dos dados das conquistas do Atlético em todas as décadas de futebol goiano.

Não concordo, mas entendo o lado de torcedor, nas colocações sobre o Goiás.

Quem tiver textos interessantes pode me mandar no andreisac10@gmail.com.

Que seja um grande clássico, com um bom público, gols e paz nas arquibancadas.

Que vença o melhor.

Ou empatem se merecerem.

Dragão: o primeiro e o último campeão goiano. O que move essa paixão?

Lá vem mais uma temporada. Superado o baque de não ter alcançado o acesso à Série A no ano passado, o torcedor atleticano já se enche de esperança de um ano promissor, com títulos e acesso. Nesse ano, nosso time tem tudo para reafirmar a máxima de que temos passado, presente e... muito futuro! Afinal, somos o único time goiano que pode se orgulhar de ter um passado incomparável. Fomos o primeiro campeão goiano, em 1944, e também, o mais recente, com o título de 2014. São 70 anos separando o primeiro do último título. Nenhum outro time goiano tem isso. A esse passado de glórias soma-se ainda as três vezes em que fomos campeões goianos invictos (1944,1955,1957). Isso é ser um time tradicional! Já um certo time verde, cheio de arrogância, foi figurante por décadas e décadas no futebol, e só deixou se ser coadjuvante, começou a ter torcida, a partir da década de 1970, em situações de bastidores não muito bem explicadas. O Atlético não. Contra tudo e contra todos, é um time de origem popular, que desde a sua fundação tem estádio, torcida, e ganhou títulos em todas as décadas, por isso é, sem dúvida, o mais tradicional de Goiás e promete para esse ano de 2015 o bi campeonato goiano, o que será o segundo em sua história.

Mas de onde vem essa esperança que se renova? O que alimenta essa paixão atleticana?

Cada um tem suas histórias, momentos marcantes, instantes rememorados que nos fazem renovar as baterias da paixão. Nem sempre o momento que nos marca de maneira mais intensa pode ser medido pela “graduação” do título conquistado, mas sim pela emoção de um jogo, a vitória sobre o rival da própria cidade, ou o heroísmo de jogadores que ali se tornam ídolos.

Os flamenguistas celebram menos o campeonato brasileiro de 2009 do que o gol feito por Petkovict em cima do Vasco em 2001, na final do que deveria ser somente... mais uma conquista de campeonato regional. Da mesma maneira, muitos vascaínos se emocionaram mais com o gol da conquista do carioca de 1988, do jogador Cocada, na final contra o Flamengo, do que com a final da Libertadores de 1998 contra o Barcelona do Equador. Não há jogo mais eternizado e celebrado pelos corintianos do que o jogo contra a Ponte Preta em 1977, que valeu o título de campeão paulista e encerrou um jejum de 23 anos sem títulos. Para os gremistas, foi a “Batalha dos Aflitos”, um jogo de Série B, em que os tricolores garantiram heroicamente o acesso à série A contra o Náutico.

Para os atleticanos, há quem diga que não houve jogo mais emocionante do que o do título goiano de 1970, contra o Vila Nova, no Estádio Olímpico, com as atuações impecáveis do goleiro Pedro Bala e do meia Zé Geraldo. Para os bem mais antigos, pode ter ficado na memória o ano de 1944, com primeiro título em cima do Goiânia, invicto, e ainda uma goleada de 11 x 0 sobre Vila Nova. Outros podem rememorar os títulos de 1985 e 1988, os gols de Bill, o artilheiro do Brasil, e as belas atuações de Júlio César, o Imperador, e Valdeir o “The Flash”. E ainda, sem dúvida, aqueles que viram, jamais se esquecerão da goleada de 6 a 0 sobre o Goiás no ano de 1954.
Para os mais jovens, aos quais me incluo, ficam na memória dois momentos históricos: o golaço de Anaílson, que garantiu o título em 2007 contra o Goiás e o consequente fim de um jejum de 18 anos sem ganhar o campeonato goiano, e ainda o título de 2014, com direito a um roteiro completo de emoções: defesa de pênalti do goleirão Márcio, gol equivocadamente anulado (o velho e conhecido apito verde) do incansável Juninho e a testada final para o gol, do nosso zagueirão Lino, aos 48 min. do segundo tempo, calando o grito de “ tri-campeão” dos esmeraldinos.

Porém, o que forma um torcedor não são só títulos e vitórias, o atleticano é talhado também na dor e na angústia, e, acima de tudo, na superação. A memória do torcedor rubro negro é também marcada por jogos que muitas vezes valem somente a fuga do inferno. Assim foi o jogo final contra o Guaratinguetá pela Série B em 2013, em que escapamos do rebaixamento com gol dramático de Juninho aos 43 min do segundo tempo. Nessa tarde não foi o time que foi apaixonante, mas sim a torcida. Foi um dia para se lembrar da massa atleticana, quase 20 mil presentes e 17 mil pagantes, cantando sem parar e relembrando os áureos tempos, da década de 1940 até início dos anos 1970, em que nossa torcida foi a maior do Estado.

Nesse dia, a emoção era registrada nas lágrimas de pais e filhos, e ao lado daquele que me inspirou a torcer pelo Atlético, meu pai, me senti parte de algo maior, integrado com uma tradição, com o time mais glorioso dessa cidade, ligado umbilicalmente e para sempre com a família rubro negra.
Vem aí 2015, mais emoções vêm para embalar nossos corações, e sem dúvida a torcida rubro negra continuará honrando as nossas tradições.

Paulo Winícius Maskote
Historiador, Professor e Mestre em História pela UFG.

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