sábado, 30 de maio de 2015

Sobre a nota de repúdio do Goiás contra a Caixa

O Dr. Sérgio Rassi, presidente do Goiás, não agiu bem ao divulgar uma nota de repúdio contra a Caixa Econômica Federal. Não ajuda em nada. Não é assim que se trata um cliente que lha dá uma resposta negativa. O "não" de hoje pode ser um "sim" amanhã. Essa posição de revolta não é uma atitude profissional.

O presidente alega que já estava tudo acertado. Acredito que estava mesmo. Porém a direção da empresa agora é outra, saiu Jorge Hereda e entrou Miriam Belchior, com orientação do Ministério da Fazenda de reduzir gastos.

Mudança de planos acontecem em qualquer empresa. Já aconteceu até com o Goiás.

Em 2012 o time fechou um patrocínio com a fábrica de tintas Luztol e de uma hora para outra mudou os planos para colocar uma empresa da família Rassi na camisa.

Em relação à Caixa não foi só o Goiás que ficou sem patrocínio. Atlético-MG, Bahia, Cruzeiro e outros também tinham acertos caminhados e ficaram de fora. O Paraná saiu por falta de certidões, ASA/AL e América/RN perderam o patrocínio por estarem na Série C.

Para 2016 decidiram que patrocinarão apenas times da Série A. A idéia é de fazer contratos anuais apenas com times que disputem a Libertadores. Ou seja, o banco não descarta negociações futuras.

E o Goiás, depois desse chilique, com que "cara" poderia voltar a negociar?

O presidente também reclama "merecimento" por ter pago dívidas e ter conseguido certidões. Pagar dívidas é obrigação. Marketing é outra história.

Por outro lado sou contra a Caixa Econômica investir no futebol profissional. Mesmo que esteja obedecendo critérios técnicos e disputando o mercado com empresas privadas, quando se envolve paixão e dinheiro público isso dá margem à interpretações apaixonadas. Geralmente o torcedor não entende, ou não quer entender, os motivos que levam um time a ganhar 30 milhões como o Corinthians e o CRB que ganha 500 mil. Cada um tem seu merecimento e sua negociação, mas isso não é compreendido por todos.

Entendo que esses patrocínios trazem mais repercusão negativa do que positiva.

A Caixa poderia investir de maneiras diferentes esse dinheiro. Como por exemplo subsidiando preços de ingressos

E voltando ao Goiás. Não quero acreditar que o time estava contando com a Caixa e não estava procurando outras empresas.

O que precisa é correr atrás, ter um plano de Marketing e apresentar para as empresas. Muitos outros "nãos" virão, porém em algum momento virá o "sim". O time tem um bom potencial de divulgação para qualquer marca. E é bom lembrar que o merecimento de um patrocínio é proporcional ao investimento.

Nota oficial emitia pelo presidente Sérgio Rassi:

Estou perplexo com informação recebida e confirmada pela diretoria da Caixa que estamos "fora" do rol de times a serem patrocinados pela mesma em 2015!

Muito claro e certo na minha memória, quando há cerca de 2 anos, na gestão do Dr. Joao Bosco, lá fomos pedir este patrocínio e tivemos como resposta: "o Goiás Esporte Clube há 3 anos consta em nossa lista de intenções e, até o momento só dela não faz parte porque não é detentora das certidões negativas de débito; traga-as que vocês farão parte dessa lista"!!

No início de nossa gestão, há cerca de 14 meses, arregaçamos as mangas de nossas camisas e começamos a trabalhar neste sentido, cortando da própria carne. Obviamente que não por determinação da Caixa...mas por filosofia de trabalho, tendo, contudo, como premiação aos nossos esforços, o dito patrocínio. Tivemos redução brutal das quotas de TV por antecipações praticadas anteriormente, ficamos sem patrocinador máster em nossa camisa desde maio de 2014 e, ainda pior, não tivemos a compreensão de maioria de nossos torcedores que abandonaram os estádios! Ainda neste cenário adverso, instituímos medidas, tais quais, limitação salarial, recolhimento rigoroso de impostos, assim como quitação de dívidas trabalhistas e extrema contenção de gastos, com proibição de contratações de novos funcionários e demissão daqueles considerados supérfluos à instituição. Sob extrema dificuldade cumprimos nossas obrigações salariais em dia, assim como premiações por desempenho. Tivemos a competência de jogadores da base, que subiram ao time principal e, graças a esses heróis gladiadores esmeraldinos, fizemos boa campanha no campeonato nacional, em nenhum momento sob risco de rebaixamento, além da conquista do campeonato goiano de 2015 e a "quase" conquista de bicampeonato em 2014, em condições de exceção, não consolidadas.
Em 2015 muito alarde se fez à medida provisória adotada pelo governo no sentido de moralização fiscal e trabalhista. Batizada como "Proforte", veio ganhando corpo e discussão ao longo dos meses, com diversas polêmicas e modificações. O Goiás Esporte Clube tem ficado alheio a essa situação, porque não precisa se adequar aos termos da medida! Conseguimos, por esforços próprios, cumprirmos além dos quesitos requeridos! 

Este é o grande paradoxo da questão!! Como o governo apregoa o rigor fiscal e trabalhista e marginaliza clubes que rezam sistematicamente desta cartilha?? Vejam a performance do GEC, financeiramente, em 2014. Fomos o time com melhor desempenho em termos de balança econômica, com redução de débito em 22% (cerca de 15 milhões de reais), em que pese toda a dificuldade de receita mencionada!! Ao passo que todos os demais times da série A (com exceção do Flamengo) aumentaram seus déficits financeiros.

Que país é esse, que vive do corporativismo e apadrinhamento de seus comparsas, praticando o clientelismo dos comissionamentos e superfaturamentos??

Que país é esse que não reconhece o mérito e o trabalho honesto!!

Que não premia o bom aluno ou o bom desempenho?? Que prefere virar as costas aos que prometeu ajudar se assim merecesse!!

Torcedor esmeraldino, não precisamos desta humilhação!! Vamos estampar em nossa camisa aquilo que orgulhamos em expor! NOSSO PRÓPRIO NOME!!

Venha e assine-a comigo! Vamos mostrar a todos que somos maiores que nossas adversidades! Que esta injustiça nos faça crescer ainda mais, às nossas próprias custas e méritos!